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La crisis sanitaria provocada por la pandemia ha generado un impacto económico, social y laboral de tal calibre que ha agravado la brecha y las desigualdades estructurales existentes y como la mayoría de crisis y conflictos afecta de forma diferente según el género y clase.

Las crisis del capitalismo siempre las pagan la clase trabajadora y sectores populares, pero en esta las mujeres trabajadoras no solo están sufriendo las peores condiciones laborales y sociales, sino que se han contagiado más.

Del estudio de prevalencia del Ministerio de Sanidad destacan colectivos altamente feminizados con mayor seroprevalencia, de los 4,7 millones, 9,9%, de la población contagiada en 2020, el personal sanitario fue el 16,8%, cuidadoras de dependientes a domicilio (16,3%), limpieza (13,9%), migrantes y trabajo en residencias (13,1%). Las profesiones ligadas a las tareas de cuidados y en primera línea de la COVID-19 asignadas tradicionalmente a las mujeres y su rol de cuidadora: lavandería y cocina en hospitales, cuidadoras, trabajadoras de residencias, limpieza, dependientas o cajeras, además de las empleadas de hogar, se exponen a mayor riesgo sanitario.

Del aspecto laboral, la situación evidencia que ser mujer, joven o migrante racializada son factores de riesgo para una mayor precariedad, pérdida de derechos y exclusión social.

Más del 50% del empleo de las mujeres en España es en sectores altamente precarizados. Han sufrido más despidos, menos opciones de teletrabajo o acceso a ayudas. Según datos de EPA, último trimestre 2020, las mujeres eran casi 3 de cada 4 personas trabajadoras a tiempo parcial (74,37% frente al 25,63% hombres). En 2020, la destrucción de empleos temporales superó 2,4 veces la de contratos fijos. Casi un 40% de las mujeres trabajan en sectores con más caída salarial y representan el 55,6% del aumento de desempleo. La caída de la ocupación de trabajadoras y trabajadores extranjeros duplica la de nacionalidad española.

Un 87,17% de las excedencias concedidas por cuidado en 2020 fueron a mujeres, asumieron el aumento de responsabilidades domésticas y tareas de cuidados abandonando el mercado laboral, así “concilia” el capital.

Tener trabajo tampoco garantiza una vida digna, 4 de cada 10 personas atendidas por ONG tienen empleos parciales o temporales con dificultades para llegar a fin de mes. En 2019 la pobreza afectaba a 1 de cada 4 familias con menores (INE), organizaciones como Save The Children calculan que en 2020 serían un 33%, 1 de cada 3 menores crecerá en situación de pobreza, muchos de esos núcleos familiares son monomarentales.

Pasados aplausos y aquel mantra utópico de “aprendimos lo verdaderamente importante”, estos trabajos remunerados o no, precarios, peor pagados, sin prestigio y reconocimiento social han conseguido visibilizarse, se evidenció que resultan fundamentales para la atención y protección de las personas, se declararon “esenciales”, pero tanto en el confinamiento como en las sucesivas olas, con sus picos de recuperación sanitaria o económica, las condiciones laborales no solo no han mejorado, sino que se han desvalorizado.

La explotación y la opresión, la misma de siempre, es lo que nos ofrece este sistema capitalista y patriarcal, que acumula con nuestro trabajo y se apropia lo que creamos, que engorda con el trabajo esencial de las mujeres trabajadoras y no reconoce el cuidado como eje fundamental de la vida y la economía.

Tatiana Delgado, Responsable de la Secretaría Feminista del CC


(versión en portugués)

Ser mulher trabalhadora: um fator de risco na pandemia da COVID-19

A crise sanitária provocada pela pandemia gerou um impacto económico, social e laboral de tal proporção que agravou a brecha e as desigualdades estruturais existentes e, como a maioria de crises e conflitos, afeta de forma diferente segundo o género e classe.

As crises do capitalismo sempre as pagam a classe trabalhadora e os setores populares, mas nesta as mulheres trabalhadoras não só estão sofrendo as piores condições laborais e sociais, senão que se contagiaram mais.

Do estudo de prevalência do Ministério de Sanidade destacam coletivos altamente feminizados com maior seroprevalência, dos 4.7 milhões, 9.9 % da povoação contagiada em 2020, o pessoal sanitário foi o 16.8 %, cuidadoras de dependentes ao domicílio (16.3 %), limpeza (13.9 %), migrantes e trabalho em residências (13.1 %). As profissões ligadas às tarefas de cuidados em primeira linha da COVID-19 atribuídas tradicionalmente às mulheres e o seu rol de cuidadora: lavanderia e cozinha em hospitais, cuidadoras, trabalhadoras em residências, limpeza, balconistas ou operadoras de caixa, ademais das empregadas do fogar, expõem-se a maior risco sanitário.

Do aspecto laboral, a situação evidência que ser mulher, jovem ou migrante racializada, são fatores de risco para uma maior precariedade, perda de direitos e exclusão social.

Mais do 50 % do emprego das mulheres na Espanha é em sectores altamente precarizados. Sofreram mais despidos, menos opções de teletrabalho ou acesso a ajudas. Segundo informações de EPA, último trimestre 2020, as mulheres eram quase 3 de cada 4 pessoas trabalhadoras a tempo parcial (74.37 % frente ao 25.63 % homens). Em 2020, a destruição de empregos temporais superou 2.4 vezes a de contratos fixos. Quase um 40 % das mulheres trabalham em setores com mais caída salarial e representam o 55.6 % do aumento de desemprego. A caída da ocupação de trabalhadoras e trabalhadores estrangeiros duplica a de nacionalidade espanhola.

Um 87.17 % das licenças sem vencimento concedidas pelo cuidado em 2020 foram a mulheres, assumiram um aumento de responsabilidades domésticas e tarefas de cuidados abandonando o mercado laboral, assim “concilia” o capital.

Ter trabalho também não garante uma vida digna, 4 de cada 10 pessoas atendidas por ONG têm empregos parciais ou temporais com dificuldades para chegar a fim de mês. Em 2019 a pobreza afetava a 1 de cada 4 famílias com menores (INE), organizações como Save the Children calculam que em 2020 seriam um 33 %, 1 de cada 3 menores crescerá em situação de pobreza, muitos desses núcleos familiares são monoparentais (mãe).

Passados aplausos e aquele mantra utópico de “aprendemos o verdadeiramente importante”, estes trabalhos remunerados ou não, precários, pior pagados, se prestígio e reconhecimento social conseguiram visibilizar-se, evidenciou-se que resultam fundamentais para a atenção e proteção das pessoas, declararam-se “essenciais”, mas tanto no confinamento como nas sucessivas ondas, com os seus picos de recuperação sanitária ou económica, as condições laborais não só não melhoraram, senão que se desvalorizaram.

A exploração e a opressão, a mesma de sempre, é o que nos oferece este sistema capitalista e patriarcal, que acumula com o nosso trabalho e se apropria do que criamos, que engorda com o trabalho essencial das mulheres trabalhadoras e não reconhece o cuidado como eixo fundamental da vida e da economia.

Tatiana Delgado, Responsável da Secretaria Feminista do CC